600.000 empregos nos EUA
O desemprego atingiu o nível mais alto dos últimos 25 anos e o Presidente dos EUA anunciou plano para acelerar os investimentos públicos para salvar milhares de postos de trabalho. Oposição desconfia. Opinião pública opõe-se a tanto despesismo.
A promessa veio com um número e um prazo: 600 mil empregos em três meses. Após uma semana em que esteve ausente a viajar pela Europa e Médio Oriente, o Presidente Barack Obama apareceu ontem aos americanos com novo fôlego e uma proposta mediática para contrariar os números galopantes do desemprego.
Obama prometeu acelerar o plano de investimentos públicos para "criar ou salvar" até Setembro 600 mil postos de trabalho, quatro vezes mais do que aquilo que conseguiu nos seus primeiros cem dias na Casa Branca.
A arriscada promessa - em Setembro o Presidente será chamado a dar contas e, com números tão explícitos, dificilmente poderá mascarar uma derrota - surge num momento decisivo no mandato de Obama. Há uma semana, o Departamento do Trabalho anunciou que o desemprego em Maio chegou aos 9,4%, o valor mais alto dos últimos 25 anos.
Ainda assim, a Casa Branca acredita que está no caminho certo e contrapõe que o número de empregos destruídos caiu de 504 mil em Abril para 345 mil em Maio.
Durante o seu discurso na Casa Branca, o Presidente dos EUA afirmou que, apesar de "o caminho a percorrer ser longo, esta é a direcção certa". E prometeu: "Não ficaremos complacentes e não nos vamos deixar descansar. Confiantes e firmes poremos esta economia de novo a andar."
Obama vai acelerar o recurso ao pacote de estímulo de 787 mil milhões de dólares aprovado em Fevereiro pelo Congresso - após uma dura batalha partidária - para financiar projectos na educação, saúde, obras públicas e emprego para jovens (ver caixa).
A confiança na eficácia das medida anunciadas, porém, não é partilhada pelos adversários republicanos e por muitos economistas preocupados com o disparar dos défices públicos.
"Estou céptico quanto às hipóteses da onda de despesismo possa dar algum bom resultado," disse ao site Político o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnel. "Se o fizer não será a curto prazo," acrescentou.
A questão da despesa galopante parece que está também a fazer Obama perder o seu maior aliado: o eleitorado. Segundo uma sondagem da Gallup, 51% dos americanos desaprovam os planos do Presidente sobre a despesa pública.
Esta é a primeira vez que mais de metade dos americanos se opõe a Obama. Mas apenas neste assunto específico. Sobre a política económica - um dos temas que valeram a eleição ao democrata -, 55% dos americanos dizem-se favoráveis a Obama, uma queda de 4% face a Fevereiro. No geral, a popularidade mantém-se muito alta: 67% aplaudem o Presidente.
Obama justificou as despesas colossais com o facto de a América estar mergulhada na pior crise desde os anos 1930. A seu favor tem os que lembram que a receita de grandes investimentos foi também utilizada pelo presidente Franklin D. Roosevelt, no New Deal, para acabar com a recessão criada pelo crash de 1929.
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